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As últimas estradas.

9 de fevereiro de 2014 por admin | 0 comentários

guarani mbyá

Vherá Poty e eu, nos últimos 6 anos aprendemos, convivemos, nos tornamos amigos, nos tornamos quase irmãos.

Nesta relação mutua e sincera de aprendizados, podemos perceber que é na relação que se aprende e se percebe o mundo, ou melhor, os mundos.

Tive a honra e o prazer de conhecer de perto seres humanos que trazem consigo um conhecimento profundo, belo, assombroso e insondável.

Neste ensaio fotográfico que dura mais de meia década, levaremos ao mundo imagens que instigam, desafiam e nos carregam ao sistema de vida de um povo que habita este território que chamamos de Brasil há aproximadamente 5 mil anos. Ao olhar nos olhos destas pessoas, percebo milênios, percebo um lastro histórico que hoje encontramos nas diversas aldeias e acampamentos de beira de estrada, resistindo com um modo de vida poético, profundo, desconhecido e incompreendido pela sociedade.

Pude aprender com Vherá Poty a resignificar minha fotografia, a resignificar meu olhar. Para tal movimento foi fundamental resignificar aspectos da minha própria vida. A medida que fui realizando este movimento, fui entrando mais a fundo neste mundo tão fascinante que é universo múltiplo dos Mbyá. Ganhei um novo nome, ganhei amigos, ganhei histórias lindas que poderei contar e recordar sempre. É impossível ser o mesmo após um jornada tão arrebatadora.

Este não é um final, é apenas um começo de muitas outras histórias, imagens, relações.

Como pude aprender com os Mbyá, o mundo está em movimento, as águas, os planetas, os ventos.

Seguiremos nos movendo como tudo que aqui habita.

 

Karay Jecupé ou Danilo Christidis

 

Nhe´e – Espírito Nome. Som, melodia da vida.

8 de outubro de 2013 por admin | 0 comentários

Para nós, Guarani – Mbyá, o ser Nhe´e é o princípio de nós, seres humanos, pessoas.  Ele é um um espírito que dá todo o sentido de nossas vidas. Todos os hábitos e comportamentos são pertencentes a Nhe´e. Nós, seres humanos, somos apenas representações imperfeitas deste ser perfeito que é o Espírito Nome Nhe´e.

Desta forma, desde pequenas, as pessoas  durante o seu crescimento tem o dever de aprender e vivenciar os sentidos de todas as palavras, em nosso dia-dia, em nossa vida no Tekoá, lugar onde podemos ser aquilo que somos.  Com este aprendizado, vivendo cada bela palavra,  vivemos o sentido do respeito mais profundo e puro, transmitido através dos conselhos dos sábios velhos, acompanhado do chimarrão, sempre servido ao despertar do Divino Sol, que ilumina o nosso mundo sem nenhum desanimo ou cansaço, nos fortalecendo com seu acordar.

Em nossa linguagem, possuímos um termo, “AYU” , que significa: fala, respeito, admiro, sinto, eu vivo. Ou seja, eu sou a própria palavra. Por isso, através da palavra, devemos ser verdadeiros, sempre .Vherá Poty

 

Texto: Vherá Poty

Foto: Danilo Christidis

 

 

 

 

Retomando o projeto.

12 de agosto de 2013 por admin | 0 comentários

Depois do pequeno susto ocorrido com o roubo do equipamento de Vherá Poty, felizmente, conseguimos adquirir uma nova câmera.
Resolvido isto, para a nossa alegria,  dia 23/08 retomamos as saídas de campo. Nosso próximo destino será o Salto do Jacuí, ao noroeste do Estado.

Visitei pela primeira vez o Salto em 2008, na companhia do antropólogo Gustavo Pradela, do Cientista Social, Luiz Fernando Fagundes e da liderança Mbyá, Santiago. Era o início do projeto.

Em breve, mais novidades sobre o livro.

Danilo Christidis

Salto do Jacuí -  2008

Salto do Jacuí – 2008

Roubo de equipamento.

29 de julho de 2013 por admin | 0 comentários

Na semana passada (23/07) terça-feira, realizamos na Fluxo -  Escola de Fotografia Expandida um encontro com os fotógrafos Vherá Poty e Danilo Christidis, autores do projeto “Os Guarani-Mbyá” que irá lançar um livro de imagens e textos sobre esta etnia indígena ao final do ano de 2013.
Foi um lindo encontro, realmente emocionante, para os participantes, para os autores.

Poty, que foi para São Paulo na manhã seguinte após a palestra, teve a trágica surpresa de encontrar o porta malas do veículo que estava arrombado. Ali constava sua mala de roupas e seu equipamento fotográfico. Uma Canon 7D com uma lente 24-105  com n° de série 162028006718. A câmera foi adquirida através de muita batalha, com o dinheiro do cachê do projeto.

Pedimos que compartilhem esta informação.

Não divulgamos anteriormente pois não queriamos alertar muito, com a esperança do equipamento aparecer em algum bric ou classificados. Estamos estudando algumas alternativas para adquirir um novo equipamento para dar seguimento no projeto. De qualquer forma, foi uma pancada que ainda estamos tentando assimilar, mas que certamente será mais um obstáculo, entre tantos outros que enfrentamos e que enfrentaremos a ser superado.

Sigamos.

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Meio do caminho.

10 de julho de 2013 por admin | 0 comentários

O Projeto ” Os Guarani Mbyá ” vem sendo para mim, um não indígena, uma grande oportunidade de aprender.
Aprender nos sentidos mais amplos  e profundos desta palavra.
Iniciei esta caminhada ao lado de Vherá Poty em 2008 sabendo que algo realmente grandioso estava por vir.
Antes de uma vontade de fazer deste tema um projeto, existia uma inquietação, uma latência um tanto pessoal de conhecer estas pessoas tão sabias e belas que são os Mbyá.
Hoje, vejo que na verdade, mais que um projeto de livro, realizo uma indescritível jornada que me convida a entrar em contato com outras relações cognitivas.
É verdadeiramente um desafio tentar traduzir para o nosso mundo sistemas, significados e sentidos que tratam de outros parâmetros e perspectivas de vida.
Muitas vezes, dentro de nosso vocabulário, não encontramos as palavras adequadas para significar modos de ser e pensar a existência a partir da perspectiva Mbyá Guarani.
É necessário sempre um mergulho que provoca a imaginação, que nos desafia a entender o mundo sob outras lógicas e outros pragmatismos.

Descrever tal experiência e cultura apenas com fotografias e palavras seria totalmente impossível. No entanto, aqueles que possuem mentes inquietas e abertas, conseguirão tocar através das imagens e das palavras que Poty compartilhará, um mundo totalmente fantástico,belo, complexo, profundo e cheio de sentidos. Sem estas qualidades, estaremos situados no território da rigidez, do julgamento idiota e razo. Absolutamente, em nosso idioma faltam os termos apropriados para dar conta do mundo Guarani-Mbyá.
Este povo aqui presente há mais de 5 mil anos, é de uma sabedoria tão profunda que se torna impossível dar por completo o assunto através de um livro de fotografias.

Já visitamos aproximadamente 10 aldeias, e visitaremos outras mais. Retornaremos a algumas.
Faremos uma pequena pausa para organizar todo o material captado, produzir alguns textos que estarão no livro e também iniciar o processo de construção do projeto gráfico desta obra.
Realizamos a nossa última saída de campo desta etapa em junho, para a aldeia de Guarita, no noroeste do Estado.
Em função do mal tempo, do frio extremo e questões de luminosidade, retomaremos nossas saídas de campo em setembro. Ainda faremos uma visita a aldeia de Salto do Jacuí, para então, retonar novamente as saídas apenas na primavera, com um tempo mais firme, agradavel, florido e ensolarado.
Neste período, estaremos compartilhando algumas imagens, textos e ainda realizaremos algumas atividades afim de divulgar o projeto.
Agradecemos a todos que tem acompanhado nossa jornada, compartillhado nossa página e posts.

Fizemos uma pequena seleção de fotos de algumas das aldeias que passamos até agora, espero que gostem!

É uma mostra bastante pequena do que está por vir. Por certo, o melhor está sendo guardado para o livro!

Sigamos!

 

aajuma!

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O Petynguá .

13 de junho de 2013 por admin | 0 comentários

O Petynguá (cachimbo) é um elemento sagrado, uma ferramenta desejada por Nhanderú, nosso Divino Pai. Atraves dela, nos concentramos  para  comunicar-se   com NHE’E (Alma-palavra).  Nhe’e é  algo difícil em se definir para o mundo dos brancos. É uma essência divina dos nossos seres. Não saberiamos da nossa existência sem eles.  Nhe’e é o nosso destino. Nossos nomes são a representação das divindades através de Nhe’e. Nosso nome é o principio de nosso destinos em quanto pessoas.

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No petynguá utilizamos fumo de corda, que possibilita a reprodução de TATAXINÃ, (SAGRADA FUMAÇA).   Tataxinã  é a manifestação  da   divindade Karaí.

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E possibilita por meio da concentração a conexão com o divino, a nós, seres imperfeitos. Esta fumaça, por meio destes momentos cerimoniais, nos dá todas as condições para realizar curas e entender as condições do estado do universo em todos os apectos.

Fotos e texto: Vherá Poty

Celebram.

11 de junho de 2013 por admin | 0 comentários

Em plena escuridão de 10 de junho de 2013, às 18:34 escuto o som grave das estacas que retumbam no chão de terra do interior das casas tradicionais de xaxim. Numa repetida melodia que parece estar orquestrada com os sons da natureza, dos grilos, dos pássaros e do vento, a rabeca entona as lindas melodias tradicionais junto ao violão. Vejo de longe o laranja da brasa do fogo aquecendo a casa de José Vherá, onde os pequeninos, as mulheres, e os sábios celebram o simples anoitecer, celebram a simplicidade de estarem juntos.

Estamos em Barra do Ouro, no Tekoá Nhú Porã, Campo Molhado.

 

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“Eu serei a força da linguagem destas pessoas.”

20 de maio de 2013 por admin | 0 comentários

Numa noite silenciosa, tomando chimarrão com o XERAMÕI Avelino (foto abaixo) e seu filho Sérgio em Osório,  conversamos longamente  sobre nossas vidas, de que forma devemos  ser e viver. Muitas belas palavras foram expressadas sob a luz baixa do fogo que estalava lentamente no chão de terra.
Vou tentar transmitir através da escrita um pouco de seus ensinamentos.
Uma das sagradas histórias contadas foi sobre o porque do chimarrão em nossas vidas.
Qual a sua origem, importância e  significado?
A origem do respeito que devemos ter entre as pessoas foi o desejo  da Erva, no seu princípio.
No inicio,  Nhanderú Nhamandú, O Nosso Divino Sol , desejou ter o chimarrão.
Uma bebida importante que pudesse fazer parte do acordar de seu olhar, o amanhecer.  Nhamandú então falou para sua filha mais nova que ela seria o pé de erva-mate. Ela respondeu: “farei sua vontade, serei a erva, mas quero que sua vontade seja também a minha.  As pessoas imperfeitas, que na terra viverão, quando desfrutarem da minha energia,  ao preparar, assim como os que forem beber de mim, deverão  ter o mesmo ânimo, respeito e alegria em servir ou tomar, assim como eu sou com sua luz, meu Criador, pois transmitirei  força e sabedoria  àqueles que tomam. Eu serei a força da linguagem destas pessoas. Por último, que eu faça parte de todas as cerimônias que revelarão os objetivos de seus enviados, que seja eu a erva, que permitirá todas as revelações e a trasmissão do sentido de cada nascimento dos teus enviados”. Seu Pai Nhamandú falou: “que assim seja”.
Por isso o chimarrão é muito importante e sagrado na nossa vida. Nós Mbyás, devemos tomar ao acordar, ao meio dia e  a noite, sempre após qualquer cerimônia e nas conversas de transmissão de conhecimento e conselhos.
O chimarrão é uma bebida sagrada  Guarani-Mbyá. Foi um presente de nosso Divino Sol Criador, e é a verdadeira origem desta bebida tão popular na região sul.
post: Vherá Poty

Da aldeia Sol Nascente.

14 de maio de 2013 por admin | 0 comentários

A cada passo adiante, a cada nova aldeia que visito junto de Vherá Poty, percebo a sorte que tenho em conhecer os sábios Guaranis-Mbyá. Pouco a pouco aprendo suas belas palavras e seus profundos significados.

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Estamos na Aldeia  “Sol Nascente” em Osório. Ao longe se vê as serras, que fazem do horizonte recortado um espetáculo de tons que alternam com a dança do sol que desperta e adormece.

Domingo a noite  conversamos longamente com a comunidade sobre o nosso projeto, sobre o  desafio de fazer da fotografia um elo de aproximação e entendimento desta cultura tão antiga e desconhecida da sociedade como um todo. Estes momentos ao redor do fogo sempre são muito valiosos e acolhedores.

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Durante o dia, visitamos algumas famílias, acompanhamos sua rotina, caminhamos sem pressa, fotografamos sem pressa.

Escrevo admirando o cair do dia, os grilos cantando, o fogo que nunca se apaga estalando na terra.

As belas palavras vão erguendo as belas fotografias.

Aqui, com alegria, eu sou o aluno.

post: Danilo Christidis

As matas do Caraá.

9 de maio de 2013 por admin | 0 comentários

Nos primeiros dias de frio deste ano, fomos aquecidos pelo fogo dos parentes de Vherá Poty no Caraá.

Uma lindíssima comunidade, com fartas e belas matas, num vale realmente lindo e frutífero. Terra indígena demarcada há aproximadamente 30 anos, o Caraá será destino de mais algumas visitas, por sua grande diversidade .

Tivemos uma profunda conversa com o Xeramõi Adorfo, que nos apresentou alguns objetos e histórias tradicionais, grande conhecedor das plantas e armadilhas de caça, Adorfo ainda terá muito a contar para nossas lentes.

Deixamos o Caraá querendo voltar logo.